
Teresinha e Valdina vivem em uma casa de repouso. Valdina leva um dia a dia otimista e sem saudosismos. Terezinha é de temperamento carrancudo. Em comum têm a praticidade dos que aprenderam a simplificar a vida já que não há tempo para complicá-la. Mais do que tudo, há entre elas uma grande e indispensável amizade.
FRASES:
- O que vc vê quando olha pra mim? Uma velha rabugenta e reclamona? Eu não sou o que você está olhando. Eu sou aquilo que está dentro do q você está olhando. E o que eu converso com você vem de lá, eu sou o lado avesso da velha que vc vê.
- A gente tem que abandonar o passado todos os dias, ou aceitá-lo. Quem não consegue, vira artista como eu, que é pra transformar, e o resto vira chato mesmo, e reclama reclama reclama.
- Sempre tive o espírito certo pra ser artista, era livre por dentro.
- Nós é que somos ansiosos, amarrados nessa carne velha, uma dor aqui, outra ali. Um monte de coisa por fazer e cadê a força? E o tempo, esse traiçoeiro? Quando a gente quer que passe ele se arrasta, quando precisa dele já não tem. O jovem não, tá tranquilo, vivendo o dia de hoje, se lixando pro amanhã.... isso é que é espiritualidade.
- Problema do jovem é juventude em excesso, mas como é sabido, todo mundo se cura disso.
- Tem o povo do chinelão - que senta na frente da tv pra assistir a vida dos outros - e acha que a alegria é uma grande injustiça mal distribuída.
- Quando chegaram diziam que eram irmãs. Mas uma é preta e a outra branca, uma gordona, dentuça, a outra magra, não se parecem nadinha, e viviam de meu amorzinho pra cá, comida na boca uma da outra. Logo todo mundo entendeu que aquilo não era amor de irmã.
- Se deixasse o mundo por conta dos homens eles estavam até hoje medindo tacapes. Homem gosta de uma comparação. Se a gente diz prum homem que ele é inteligente, ele fica contente, mas se falar que ele é tão inteligente quanto o Churchill, aí... ele exulta!
- A velhice não é pra covardes’, Edith Piaf. Gosta dela?
- Todo domingo nós saímos para caminhar. Fazemos companhia uma à outra. Reparou como estou bonita? Roupa de domingo, eu mesma cortei, costurei. Há pouco tempo as mãos ainda obedeciam. Sou magrinha, como pouco, ainda cabe. Diga se não estou uma uva.
- Uma dor partilhada é metade da tristeza, mas a felicidade, quando a gente divide, parece que dobra.
- Se eu morrer hoje, amanhã estão pintando as paredes do quarto para a chegada de outro ancião.
- Olha, é o seguinte, se Deus existe e ele me apontou a maça lá no paraíso – sabendo quem eu sou - é porque queria que eu transgredisse. Então tô aqui seguindo meu destino: pecando!
- Morrer é mesmo uma coisa muito besta. O sujeito tá cheio de planos, tentando fazer o melhor possível, atravessa uma rua e é atropelado. Ou morre de doença que faz ainda menos sentido.
- Eu chamo meus mortos pelos antigos apelidos, falo deles da maneira como sempre fiz. Não mudei o tom, não uso solenidade, nem tristeza.
- É a experiência. Ela dá o direito de ser do jeito que se quer, falar o que dá na telha. É a hora da verdade, da liberdade sem frescurinhas. Quer melhor?
- Vamos bagunçar o coreto lá em cima. Você acha q no céu eles usam léguas ou milhas?
- Quilômetros. No céu é tudo pra facilitar. Pra brasileiro convertem em metro.
- Estou no ponto e ainda tem tanto por fazer, aprender um instrumento, saber cantar bonito, dar a volta ao mundo, cozinhar pratos exóticos,...puxa, que maravilha o futuro! Mil anos deve dar pro começo.
PEQUENO DIÁLOGO:
VALDINA
Mas que vocês são uns bobinhos, isso são, todos. Basta à mulher dar uns gemidos que já acham que chegamos ao grande encerramento. E às vezes a gente geme bem alto que é pra isso mesmo, pra acabar logo porque tá chato, chatíssimo. (gargalha)
TERESINHA
Eles também fingem Valdina. Fingem intensidade que é pra ver se a gente se anima.
VALDINA
Quanto desajuste num só ato. Não dá pra entender como é que sexo tem tanta demanda. Veja bem, homem precisa dispersar, lembrar da sogra, da manchete do jornal, da conta na quitanda, que é pra conseguir se segurar e esperar a parceira. A mulher, ao contrário, concentra corpo e mente toda naquilo, porque um pio do lado de fora, bota tudo a perder.
TERESINHA
Nunca tinha pensado nisso, mas é assim mesmo, quase um milagre quando no final da certo. Somos uns bichos muito diferentes.
• 24, 25 e 26 - São Luiz do Maranhão
Teatro Arthur Azevedo
sexta e sábado às 21:00hs
domingo às 19:00hs
• 01 e 02 - Porto Alegre
Theatro São Pedro
sábado às 21:00hs
domingo às 18:00hs
• 07, 08 e 09 - Curitiba
Teatro Fernanda Montenegro Shopping Batel
sexta e sábado às 21:00hs
domingo às 19:00hs
• Confirmada nossa estreia em São Paulo no dia 14 de junho para temporada inicial até 11 de agosto no Teatro FAAP!
Ao término de cada sessão, lançamento do livro
"É duro ser cabra na Etiópia"
• 24, 25 e 26 - São Luiz do Maranhão
Teatro Arthur Azevedo
sexta e sábado às 21:00hs
domingo às 19:00hs
• 01 e 02 - Porto Alegre
Theatro São Pedro
sábado às 21:00hs
domingo às 18:00hs
• 07, 08 e 09 - Curitiba
Teatro Fernanda Montenegro
Shopping Batel
sexta e sábado às 21:00hs
domingo às 19:00hs
• 01 - São Paulo
Lançamento às 19:00hs na Livraria Cultura
Conjunto Nacional
Av. Paulista, 2073