Subindo a serra rumo às filmagens! Vejam a convocação do Domingos, nosso querido líder:
Vocês conhecem Henrique V de Shakespeare? O monólogo do Dia de São Crispim?
É o seguinte: ele tem de injetar entusiasmo e vontade de ir para a batalha em seus soldados, embora os franceses sejam 10 para cada inglês! Não é que ele consegue? Shakespeare tinha talento.
Estou me sentindo meio Henrique V ("Vocês serão lembrados pelos seus netos e bisnetos por terem estado lá, cada um que olhar as cicatrizes do seu corpo saberá que você foi um dos bravos que lutaram e assistiram a glória da batalha de São Crispim").
O filme vai começar. É um filme impossível, uma multidão de atores e equipes de grande heterogeneidade, com rigor absoluto. Enfim, tudo como deve ser entre Artistas. A pergunta que paira no ar, aquela que não pode deixar de ser feita na calada da noite, é: "Afinal, por que estou fazendo esse filme?". Se a sua resposta contiver uma grande alegria... O filme certamente será um sucesso surpreendente dentro do panorama geral do Cinema Brasileiro (CB). Embarcando nas siglas, o verdadeiro BOAAAAA (Baixo Orçamento e Alto Astral com Alta Ambição Artística).
Estou brincando. Porém expresso aqui com emoção o prazer da companhia de vocês, com a certeza de estar abrindo um pote com grande quantidade de talento. Deus nos proteja, paz na Terra aos homens de boa vontade, melhor se arrepender de ter feito do que de não ter feito, um momento de beleza é uma alegria para sempre, um passarinho cai do galho morto de frio sem jamais ter sentido pena de si mesmo. Oh minha alma, não aspira à vida imortal porém esgota o campo do possível. Divertiremo-nos juntos dentro de uma disciplina espartana!!!
Este não é um filme de produção e os coitados não têm dinheiro nenhum. Se precisarem de alguma coisa, não telefonem para a produção. Virem-se, é mais seguro. Telefone para seu companheiro de filmagem que ele te ajudará (figurinos, transporte e essas bobagens), afinal somos mais de 34!!!
Incrível, realmente enlouqueci. É uma espécie de "caça-tesouro", em que o tesouro é o filme.
Até a filmagem, um beijo e um abraço,
Domingos, viva o cinema!
Que o carná traga alegrias de montão!
Confetis serpentinas e beijos, Maitê
Acho tão fora de época essa mania que as publicações têm de divulgar suas matérias pelo aspecto mais banalizante e vulgar. Não se pode fazer menção a assuntos de sexo que já tiram do contexto, suprimem todo humor e jogam pros lobos. E daí se eu disse que posso ficar meses sem pensar em sexo e que isso nada tem a ver com frigidez? Gosto do negócio, minha vida mostra, gosto como a maior parte das pessoas, mas tenho mais o que fazer. Aproveito as fases de recesso para ler, estudar, escrever, cantar, dançar, nadar no mar e dar bem poucas entrevistas. Além do mais, a matéria da revista tinha outro objetivo,minha presença, meus comentários, eram só um pretexto. Fiz as fotos a pedido do Copacabana Palace que me acolhe há 25 anos, para promover o maravilhoso Hotel das Cataratas da mesma rede. Fiz em agradecimento por anos de gentilezas. By the way, não houve sexo nos dias em que estive em Foz. Amem.
O Cabra está ficando bom de doer, a parte dos textos ao menos. Quanto às ilustrações, ainda falta um bocado, preciso de imagens que me surpreendam. Em breve, contudo, serei obrigada a fechar o site e trabalhar em cima do que chegou. Quero terminar o livro antes de começarem as gravações de Gabriela.
Quanto ao filme, terá um cenário bonito, uma atmosfera elegante, mas, sobretudo, um ‘à vontade’ que só se consegue trabalhando entre amigos. Independentemente das tensões que coloquemos entre personagens, isso escapará pelas frestas da história; o público se beneficiará do afeto, que, na vida real ;-), existe entre os amigos que somos. Cenário único e casa de campo são corriqueiros no cinema, então Domingos teve a idéia de situar a coisa no primeiro dia do ano, e à partir daí pensarmos nos diversos recomeços, o que deve ser encerrado, e o que deverá continuar (e como), na vida de cada um. É que passou mais um ano, não foi simples, nunca é. No final a gente relaxa, extenuado que está de viver. Mas dura pouco, logo no dia 2, temos que encarar a vida e tentar de novo ser aquela pessoa melhor com que nos comprometemos no 31 do ano anterior, e falhamos. Tudo permeado de filosofia com humor: sempre dá um bom caldo.
Andei pensando... Os homens mais jovens se apaixonam e amam o envolvimento, podem até se casar em função disso, muitos o fazem. Os mais velhos, via de regra, se desencantaram com a paixão, buscam uma mulher que atenda suas necessidades. O convívio sereno, de preferencia sem grandes movimentos de amor, serve otimamente. Tesão eles arrumam de uma forma ou de outra, e em último caso, há remedinhos a socorrer. Libido, aquilo que move a gente, que enche de entusiasmo, não só pelo sexo, mas por tudo que nos cerca, aí é outra conversa... porque essa, pobrecita, se vê bastante prejudicada nos medos da maturidade. Tem gente que até morre disso, de vida morna.
Estou sem assunto sem assunto, estudando sem parar o meu personagem do filme do Domingos de Oliveira. Aqui uma lasca do trecho em que parei (pra conversar com vocês) do roteiro que será rodado agora no Carnaval:
...
RAIRA
Queria só que você me ajudasse a entender uma coisa. Da minha vida. Meu marido não é como Franco. Ele é um marido perfeito, não é? médico revolucionário, bem sucedido, bom pai, bom de cama... Então por que quando eu olho para ele só vejo o homem que não gosta do meu pai? Eu sou tão infeliz no meu casamento quanto a Laura. Me responde, Napoleão. Como é possível isso?
NAPOLEÃO
É porque o amor é um buraco negro. Eu explico. Se a relação tem um defeito, ele puxa para dentro de si todas as qualidades ao redor!
RAÍRA
Que horror.
NAPOLEÃO
O amor, sabe Raíra, tem uma mania. Ele só pede uma coisa.
RAÍRA
O quê?
NAPOLEÃO
A plenitude.
Ontem depois do grupo de estudos de que participo na EAV do Parque Lage, dei uma passada na vizinha, Narciza Tamborindegui, que oferecia jantar para um casal estrangeiro. Estava exausta depois de um dia sem pausas, era só pra um beijo, mas estava lá meu amigo Paulo Fernando Marconde Ferraz, que além de gentleman de primeira linha é o melhor dançarino que conheço. Me pegou pela cintura e dançamos cinco tangos deliciosos, e pra finalizar, uma linda valsa. Voltei pra casa levinha.
Estive em Foz do Iguaçu no finde para um ensaio fotográfico a pedido do Copacabana Palace que me acolhe e paparica há muitos anos. Hospedei-me com uma amiga e equipe dentro do parque nacional, no Hotel das Cataratas pertencente ao mesmo grupo do Copa. Esplêndido! O resultado sairá na Contigo com um conceito bem diferente do que a revista normalmente publica. Gostaria de mostrar aqui algumas fotos do making-off mas tenho medo de antecipar a surpresa da matéria, então... vamos ter que esperar. Pra quem precisa descansar aquilo lá é uma maravilha, mata selvagem, restaurante de primeira, um super spa com massagens de deixar a gente molinha demais, e ainda tem a Argentina ali ao lado pra uma esticada noturna. Bomabeça!
Trabalho furiosamente no Cabra! Nos intervalos estudo para o filme do Domingos, Primeiro dia de um ano qualquer. Némolenão.
Tenho uma professora de literatura, mulher inigualável, imensa, estudo com ela mais por ela do que pela literatura. Não é dizer pouco, já q ela me oferece grandes momentos. Hoje teve Adélia. Em dupla homenagem a poeta diz assim...
"...tudo que invevento já foi dito
nos dois livros que eu li
as escrituraras de Deus,
as escrituras de João.
Tudo é Bíblias. Tudo é Grande Sertão."
E ainda:
...Para o desejo do meu coração
o mar é uma gota.
A quem interessar possa, estarei hoje às 20:30 no Jornal em Pauta da Globonews falando de... não sei bem o que. Mas certamente vão me deixar contar do Cabra que está recebendo imagens pra capa e divisão de capítulos. Té já
Ontem estivemos no show do Chico.
Maria, que o escuta desde bebê, cantava e chorava.
É lindo. Especialmente lindo!
